A manhã deste sábado, 13 de dezembro, foi quente não apenas devido ao clima, mas também em virtude da intensa mobilização de coletivos, sindicatos e partidos políticos no ato que ocorreu na praça Saldanha Marinho. Durante a atividade foram denunciados os feminicídios como uma resultante não apenas da cultura machista e patriarcal, mas também pelas fragilidades da estrutura do Estado, que deveria ter medidas mais eficazes para evitar agressões e assassinatos.
O movimento nacional “Mulheres vivas” expôs através de cartazes, de inúmeros elementos visuais, e também pelos discursos efetuados durante a manifestação, que é preciso dar um basta à violência de gênero. “Nem uma mulher a menos”, entoaram as dezenas de vozes na praça. Quem estava lá presente e ativa no ato foi a professora Cláudia do Amaral, da coordenação-geral do Sinasefe SM.
Para a sindicalista e docente do Colégio Politécnico da UFSM, o ato foi uma atividade de denúncia, mas também de busca de conscientização e apoio da sociedade, buscando o acolhimento dessas mulheres, na construção de uma resiliência, de redes de apoio, e também de informação, para que se avance para além da denúncia, e as mulheres saibam onde buscar apoio e sair da situação de vítimas de agressão.

Papel sindical
A dirigente do Sinasefe SM ressalta ainda que o movimento sindical tem um papel importante nesse contexto de violência contra as mulheres. Segundo Cláudia, é preciso fazer a denúncia e mostrar que a característica dessa violência é de classe, que tem cor. “E nós, enquanto sindicalistas, precisamos lutar por políticas públicas de acolhimento das mulheres, políticas de forma geral, como por exemplo, o fim da escala 6 por 1, que parece que não tem relação, mas está diretamente relacionada com isso, o que permitiria que as mulheres pudessem estar em casa com seus filhos.”
Para a coordenadora do Sinasefe SM, yoda essa mobilização que tem ocorrido em caráter nacional tem a intenção também de esclarecimento para as mulheres, para todas as mulheres, sejam elas heteros, lésbicas, trans, e, segundo Cláudia, com ênfase nas que se encontram em pior situação, que são as mulheres negras.
Pauta
A pauta construída pela organização do evento e que foi publicizada através de panfletos era constituída dos seguintes pontos:
– Ampliação das delegacias da mulher 24h;
– Defesa dos direitos reprodutivos;
– Fim da escala 6 x 1;
– Remuneração para o trabalho doméstico;
– Dados reais sobre violência doméstica;
– Acolhimento especializado para mulheres negras, indígenas, trans e com deficiência.

Números da violência
O anuário brasileiro de segurança pública e do ministério da Saúde apresentam dados que mostram uma verdadeira epidemia de violência contra as mulheres. Conforme esses órgãos, a cada 10 minutos ocorre um feminicídio no país; a cada 4 minutos uma mulher é agredida e sobrevive; a cada 6 minutos acontece um estupro; e a cada 30 segundos uma mulher sofre algum tipo de violência.
Acompanhe abaixo algumas orientações e canais de ajuda em uma ilustração.

Texto e fotos: Fritz Rivail
