Cláudia do Amaral, coordenadora-geral do Sinasefe Santa Maria, avalia que a participação no seminário “mulheres, direitos, trajetórias e transformações sociais”, promovido pela UFSM em parceria com o Sinasefe, foi “super importante”, porque, na visão dela, é papel do sindicato estimular o aspecto formativo e de conscientização, especialmente em um estado como o Rio Grande do Sul, em que os feminicídios já bateram na casa de 23 casos.
O evento ocorreu ao longo da quinta-feira, 19 de março, no Auditório da Antiga Reitoria, centro de Santa Maria, e contou com uma extensa programação, com mesas debatendo temas diversificados. A mesa de abertura contou com a presença da reitora da UFSM, Martha Adaime, a pró-reitora de Extensão, Milena Freire, a coordenadora de Cidadania da universidade, Cassiana Marques da Silva (também diretora do Sinasefe SM) e de Cláudia do Amaral. A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) e a vereadora santa-mariense Marina Callegaro (PT), também prestigiaram as atividades.

Ainda que o seminário tenha enfatizado bastante a questão do combate à violência, e é justificado, devido à violência de gênero que atinge o RS e o Brasil, Cláudia considera que a partir do momento em que a programação abordou a situação das mulheres e suas intersecções, se conseguiu avançar no debate, tendo em vista que as intersecções de raça, de classe, de orientação sexual, com a presença de líderes comunitárias, catadoras, mulheres trans, com toda essa diversidade de aspectos, contribuíram na qualificação do debate.

Romper um ciclo
Cassiana Marques da Silva, coordenadora de Cidadania da UFSM, disse que o debate foi muito relevante ao permitir que diferentes abordagens e experiências do cotidiano feminino pudessem ser expostos e debatidos. Da mesma forma, a reitora, Martha Adaime, argumentou que é preciso chamar a atenção da sociedade, especialmente dos jovens, e eventos como o seminário realizado podem ajudar a romper o ciclo de violência que está colocado contra as mulheres.
Em meio às quatro mesas realizadas, destaca-se a presença da delegada que já comandou a Delegacia da Mulher de Santa Maria, Débora Dias, que enfatizou a necessidade de uma mudança cultural para barrar a violência. E também a contribuição explicativa da soldada Stéfani Brunhauser, acompanhada do soldado Maiquel Batista, que esclareceram detalhes sobre a atuação da Patrulha Maria da Penha.

Confira quais foram as mesas de debate
Mesa 1- “Vozes contra as opressões”;
Mesa 2- “Mulheres negras e afetividade”;
Mesa 3- “Tecendo lideranças”;
Mesa 4- “Mulheres trans e transformações”.

Convidadas
Débora Dias (delegada), Renata Quartiero (advogada), Jussara Beatris Alves (líder comunitária), Luiza Scheffer Barros (ativista), Margareta Vidal (catadora da Asmar), Belônia Alves da Silva (moradora da Nova Santa Maria, empreendedora), Stéfani Brunhauser (ex-policial, possui formação específica na área de prevenção à violência doméstica), Cilene Rósse Soares de Moraes (mulher trans, assessora parlamentar) e Mauri de Abreu severo (mulher transexual e travesti, professora de educação infantil da rede municipal).
A promoção do seminário envolveu a Pró-Reitoria de Extensão da UFSM, Coordenadoria de Cidadania, Observatório de Direitos Humanos e contou também com o apoio do Sinasefe Santa Maria.

Pedido de apoio parlamentar às reivindicações sindicais
O Sinasefe Santa Maria aproveitou a presença da deputada federal Maria do Rosário (foto abaixo) para solicitar-lhe apoio em relação a demandas do sindicato que se prolongam sem serem cumpridas desde a greve de 2024. Um dos principais tópicos exigidos desde o período do movimento grevista é uma nova portaria do governo federal que desobrigue docentes da carreira EBTT da necessidade de registrar presença através do ponto eletrônico.

Texto: Fritz Rivail com informações do Diário SM.
Fotos: Arquivo pessoal
