{"id":4384,"date":"2022-03-12T16:47:10","date_gmt":"2022-03-12T16:47:10","guid":{"rendered":"https:\/\/sinasefesm.com\/?p=4384"},"modified":"2022-03-12T16:47:10","modified_gmt":"2022-03-12T16:47:10","slug":"por-que-as-mulheres-ainda-precisam-do-8-de-marco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/2022\/03\/12\/por-que-as-mulheres-ainda-precisam-do-8-de-marco\/","title":{"rendered":"Por que as mulheres ainda precisam do 8 de mar\u00e7o?"},"content":{"rendered":"\n<p>Com origens nos movimentos oper\u00e1rios femininos de 1908 e oficializado na d\u00e9cada de 70 pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), o dia 8 de mar\u00e7o \u00e9 considerado Dia Internacional da Mulher. Inicialmente, a data era marcada por reivindica\u00e7\u00f5es por igualdade salarial, direito ao voto e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para as mulheres. Entretanto, por quais motivos, mais de 100 anos depois do in\u00edcio do movimento, ainda \u00e9 necess\u00e1rio que essa data exista?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta \u00e9 simples: apesar dos muitos avan\u00e7os ocorridos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, as desigualdades no mercado de trabalho continuam presentes e se somam a outras pautas fundamentais \u00e0 luta feminista, como: o combate \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero e ao machismo, bem como a defesa de pautas dos movimentos negro e trans, que se interseccionam ao feminismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A realidade feminina mercado de trabalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dados da pesquisa <em>Women in Business<\/em> revelam que a paridade de g\u00eanero cresceu no mercado de trabalho em 2021, com 31% das mulheres ocupando cargos de lideran\u00e7a, o que representa 2% a mais que o ano anterior. No entanto, embora esse avan\u00e7o tenha ocorrido, ele n\u00e3o se reflete nos sal\u00e1rios, uma vez que as mulheres ganharam 20,5% menos que os homens no \u00faltimo ano, segundo a \u00faltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (Pnad). E no caso das mulheres negras, a diferen\u00e7a \u00e9 ainda maior: o IBGE de 2019 revelou que um homem branco ganha mais que o dobro que uma mulher preta. Nesse ritmo, demorar\u00edamos mais 267,6 anos para alcan\u00e7ar a equidade salarial, segundo a <em>Global Gender Gap Report<\/em> 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Contribuindo para o desest\u00edmulo das mulheres no ambiente de trabalho, o ass\u00e9dio \u00e9 outro fator que se destaca. Ao menos 52% das mulheres afirmam j\u00e1 terem sido assediadas no trabalho, e 46% relatam situa\u00e7\u00f5es de constrangimento e preconceito em processos seletivos por ser mulher, de acordo com levantamento realizado recentemente pela plataforma <em>InfoJobs<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma pesquisa, a maioria das entrevistadas contam que nunca trabalharam em uma empresa comandada por uma mulher e 28% revelam dificuldades de ascender profissionalmente. Para mulheres trans, o cen\u00e1rio \u00e9 ainda pior, porque a grande maioria n\u00e3o encontra oportunidades nem de ser aceita em uma vaga, fazendo com que muitas recorram at\u00e9 mesmo \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o para sobreviver, j\u00e1 que o mercado formal se nega a inclui-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros casos, a dificuldade de ascens\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 conectada aos contratempos de ter que conciliar emprego com a vida pessoal. Historicamente, as mulheres s\u00e3o postas como respons\u00e1veis por cuidar dos filhos e das atividades dom\u00e9sticas sozinhas, enquanto o homem pode se dedicar exclusivamente ao trabalho. Felizmente, nos \u00faltimos anos tal assunto tem sido discutido, permitindo avan\u00e7os na divis\u00e3o das tarefas. Contudo, o machismo enraizado h\u00e1 s\u00e9culos ainda retarda esse progresso: conforme pesquisa feita pelo IBGE em 2015, as mulheres gastam 26 horas semanais em trabalhos dom\u00e9sticos, ao passo que os homens ocupam somente 11 horas de suas semanas com isso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Governo Bolsonaro e seus obst\u00e1culos \u00e0 luta feminista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m de tantos entraves enfrentados pelas mulheres, as brasileiras ainda t\u00eam que combater os empecilhos promovidos pelo governo vigente, como por exemplo: a tentativa de Bolsonaro de barrar a distribui\u00e7\u00e3o gratuita de absorventes para mulheres em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, ou ent\u00e3o, o corte de R$89 milh\u00f5es da verba de combate \u00e0 viol\u00eancia contra mulher para 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Piorando a situa\u00e7\u00e3o, destacam-se tamb\u00e9m as diversas falas machistas do presidente, proclamadas sem nenhum pudor em frente \u00e0 imprensa, como <em>\u201cquem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique \u00e0 vontade\u201d <\/em>e <em>\u201cela n\u00e3o merece (ser estuprada) porque ela \u00e9 muito ruim, porque ela \u00e9 muito feia, n\u00e3o faz meu g\u00eanero, jamais a estupraria. Eu n\u00e3o sou estuprador, mas, se fosse, n\u00e3o iria estuprar porque n\u00e3o merece\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esses s\u00e3o apenas alguns exemplos da postura adotada pelo governo, que com suas a\u00e7\u00f5es se p\u00f5e, claramente, contra a luta feminista. Por isso, \u00e9 importante que continuemos lutando diariamente pelos direitos das mulheres e n\u00e3o deixemos que esse governo diminua nossa for\u00e7a!<\/p>\n\n\n\n<p><em>Texto: Laurent Keller<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Revis\u00e3o: Bruna Homrich<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com origens nos movimentos oper\u00e1rios femininos de 1908 e oficializado na d\u00e9cada de 70 pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), o dia 8 de mar\u00e7o \u00e9 considerado Dia Internacional da Mulher. Inicialmente, a data era marcada por reivindica\u00e7\u00f5es por igualdade salarial, direito ao voto e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para as mulheres. 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