{"id":4389,"date":"2022-03-15T05:03:18","date_gmt":"2022-03-15T05:03:18","guid":{"rendered":"https:\/\/sinasefesm.com\/?p=4389"},"modified":"2022-03-15T05:03:18","modified_gmt":"2022-03-15T05:03:18","slug":"como-vem-sendo-a-implementacao-do-novo-ensino-medio-nos-colegios-federais-de-santa-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/2022\/03\/15\/como-vem-sendo-a-implementacao-do-novo-ensino-medio-nos-colegios-federais-de-santa-maria\/","title":{"rendered":"Como vem sendo a implementa\u00e7\u00e3o do Novo Ensino M\u00e9dio nos col\u00e9gios federais de Santa Maria?"},"content":{"rendered":"\n<p>O Novo Ensino M\u00e9dio (NEM) deve come\u00e7ar a ser implementado nas escolas p\u00fablicas e privadas do pa\u00eds, neste ano de 2022. Advindo da Medida Provis\u00f3ria (MP) 746\/2016,&nbsp; proposta pelo governo de Michel Temer e que em menos de seis meses foi convertida na Lei n\u00ba 13.415\/017, o projeto enfrentou \u2013 e ainda enfrenta \u2013 duras cr\u00edticas por parte de entidades ligadas \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, tendo sido inclusive uma das pautas a motivar as ocupa\u00e7\u00f5es secundaristas h\u00e1 cerca de cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, o Novo Ensino M\u00e9dio alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o (LDB), determinando mudan\u00e7as especialmente nos componentes curriculares e na carga hor\u00e1ria de col\u00e9gios pa\u00eds afora. Agora, a carga hor\u00e1ria deve ser dividida entre os componentes curriculares da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e os itiner\u00e1rios formativos voltados ao mercado de trabalho. Com a BNCC, as disciplinas concebidas como obrigat\u00f3rias durante os tr\u00eas anos do ensino m\u00e9dio passaram de portugu\u00eas, matem\u00e1tica, artes, educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, filosofia e sociologia para apenas portugu\u00eas e matem\u00e1tica. Dentre tantas consequ\u00eancias desta mudan\u00e7a, uma diz respeito \u00e0 sobrecarga de trabalho observada nas rotinas de professores e professoras destas duas disciplinas. \u00c9 o que explica Adriana Bonum\u00e1, Secret\u00e1ria de Assuntos Legislativos e Jur\u00eddicos do Sinasefe Santa Maria e professora de l\u00edngua portuguesa do Col\u00e9gio Militar de Santa Maria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que, em sua escola, o Novo Ensino M\u00e9dio come\u00e7ou a ser implementado ainda em 2021, ap\u00f3s debates realizados na Diretoria de Educa\u00e7\u00e3o Preparat\u00f3ria e Assistencial (DEPA), que define e centraliza as a\u00e7\u00f5es a serem implementadas nos 14 col\u00e9gios militares brasileiros. Ao inv\u00e9s de o debate sobre o assunto ser capilarizado para toda a comunidade escolar, dele participaram apenas um representante de cada \u00e1rea do conhecimento: linguagens, exatas, ci\u00eancias biol\u00f3gicas e humanas, al\u00e9m de gestores(as). Das reuni\u00f5es, ocorridas de forma virtual, originou-se o novo programa a ser seguido pelos Col\u00e9gios Militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em implementa\u00e7\u00e3o, o Novo Ensino M\u00e9dio no Col\u00e9gio Militar de Santa Maria tem funcionado da seguinte forma: de segunda a quarta-feira s\u00e3o lecionados os componentes previstos na BNCC; e \u00e0s quintas e \u00e0s sextas-feiras s\u00e3o reservadas os itiner\u00e1rios formativos. H\u00e1 dois itiner\u00e1rios: o das Carreiras Militares (CAMil) e o das Carreiras Universit\u00e1rias (CAUni). At\u00e9 ent\u00e3o, tal divis\u00e3o vem sendo aplicada aos segundos e terceiros anos do Ensino M\u00e9dio, devendo ser implementada nos primeiros anos do Ensino M\u00e9dio a partir de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Adriana explica que o itiner\u00e1rio CAUni envolve basicamente as mesmas disciplinas previstas na Base Comum, por\u00e9m trabalhadas com foco na aprova\u00e7\u00e3o dos alunos e alunas em processos seletivos como Enem e alguns vestibulares. J\u00e1 o CAMil abrange as disciplinas cobradas em concursos das carreiras militares, a exemplo da EsPCEx (Escola Preparat\u00f3ria de Cadetes do Ex\u00e9rcito), da AFA (Academia da For\u00e7a A\u00e9rea), do IME (Instituto Militar de Engenharia) e do CPAEN (Escola Naval).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cNo Col\u00e9gio Militar, esses itiner\u00e1rios n\u00e3o provocaram grandes altera\u00e7\u00f5es curriculares. A altera\u00e7\u00e3o foi no aumento de carga hor\u00e1ria de algumas disciplinas, como portugu\u00eas e matem\u00e1tica, e na forma como elas s\u00e3o trabalhadas com o aluno, focando em carreiras militares e carreiras universit\u00e1rias. Os professores em geral est\u00e3o com carga hor\u00e1ria bastante alta. Estamos sendo bastante sacrificados, com uma quantia de aulas bem maior e com diferentes conte\u00fados e aulas a serem preparadas. Ent\u00e3o temos, na verdade, com os dois itiner\u00e1rios e a BNCC, tr\u00eas curr\u00edculos diferentes, em que os conte\u00fados n\u00e3o batem. Isso acarreta em um aumento de burocracia, de avalia\u00e7\u00f5es, de carga hor\u00e1ria. E isso \u00e9 prejudicial. Claro que a qualidade tende a diminuir\u201d, preocupa-se Adriana.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por serem consideradas as disciplinas obrigat\u00f3rias pela nova BNCC, portugu\u00eas e matem\u00e1tica tiveram aumento de carga hor\u00e1ria, sem, contudo, haver contrata\u00e7\u00e3o de novos professores e professoras para darem conta da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTemos pouco mais de 200 dias letivos contabilizados. Passamos de 6 para 7 tempos trabalhados no turno da manh\u00e3. Com esse aumento em um tempo, foi reduzido cinco minutos de cada aula. Ent\u00e3o temos aulas de 40 minutos e n\u00e3o mais de 45 minutos\u201d, exemplifica a dirigente do Sinasefe Santa Maria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Novo Ensino M\u00e9dio n\u00e3o ser\u00e1 o mesmo para todos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1143\" height=\"720\" src=\"https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foto-escola-ocupada-brasilia-mp-agencia-brasil.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4391\" srcset=\"https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foto-escola-ocupada-brasilia-mp-agencia-brasil.jpg 1143w, https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foto-escola-ocupada-brasilia-mp-agencia-brasil-300x189.jpg 300w, https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foto-escola-ocupada-brasilia-mp-agencia-brasil-1024x645.jpg 1024w, https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foto-escola-ocupada-brasilia-mp-agencia-brasil-768x484.jpg 768w, https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foto-escola-ocupada-brasilia-mp-agencia-brasil-150x94.jpg 150w, https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/foto-escola-ocupada-brasilia-mp-agencia-brasil-450x283.jpg 450w\" sizes=\"(max-width: 1143px) 100vw, 1143px\" \/><figcaption>Ocupa\u00e7\u00e3o secundarista em 2016. Na foto, uma escola de Bras\u00edlia (DF). <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ainda que no Col\u00e9gio Militar o NEM n\u00e3o tenha trazido tantas consequ\u00eancias e altera\u00e7\u00f5es curriculares, Adriana pondera que as mudan\u00e7as tendem a ser bastante prejudiciais quando se leva em conta a totalidade da educa\u00e7\u00e3o \u2013 especialmente a p\u00fablica \u2013 no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA escola p\u00fablica n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e log\u00edsticas de acomodar um aumento t\u00e3o vertiginoso de carga hor\u00e1ria, e ao mesmo tempo n\u00e3o se sabe que condi\u00e7\u00f5es a escola p\u00fablica vai ter de oferecer diferentes itiner\u00e1rios com diferentes cursos profissionalizantes. Acredito que essa reforma tende a aumentar ainda mais o abismo que a gente observa dentro da educa\u00e7\u00e3o, levando em conta escolas p\u00fablicas e escolas privadas\u201d, explica a professora e dirigente sindical. Al\u00e9m de escolas p\u00fablicas e privadas terem diferentes condi\u00e7\u00f5es de aplicar as mudan\u00e7as, o Novo Ensino M\u00e9dio tamb\u00e9m pode acirrar as desigualdades de forma\u00e7\u00e3o entre as regi\u00f5es mais desenvolvidas e as mais empobrecidas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Opini\u00e3o semelhante tem Deivis Jhones Garlet, diretor do departamento de Ensino do Col\u00e9gio T\u00e9cnico Industrial de Santa Maria (CTISM), para quem o Novo Ensino M\u00e9dio sedimenta duas possibilidades de forma\u00e7\u00e3o: uma de curta dura\u00e7\u00e3o, voltada ao ensino profissionalizante, primordialmente ofertado no formato Ensino a Dist\u00e2ncia (EaD) por empresas ou profissionais de \u201cnot\u00f3rio saber\u201d; e uma de maior continuidade,&nbsp; visando, por exemplo, ao ingresso no ensino superior. A primeira tenderia a ser reservada aos segmentos mais vulner\u00e1veis da sociedade, ao passo que a segunda, \u00e0s parcelas mais favorecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPedagogicamente, o NEM expressa uma concep\u00e7\u00e3o dualista de sociedade e, por extens\u00e3o, de educa\u00e7\u00e3o, alicer\u00e7ada em um projeto pol\u00edtico e econ\u00f4mico que opera o am\u00e1lgama entre tend\u00eancias liberais, conservadoras e autorit\u00e1rias, cujo objetivo, em \u00faltima inst\u00e2ncia, se traduz na reprodu\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do capital. A propalada \u201cliberdade de escolha\u201d do aluno diante de itiner\u00e1rios variados se reveste de mera apar\u00eancia, a qual oculta o fato de que os itiner\u00e1rios dever\u00e3o \u2013 obrigatoriamente \u2013 ocupar a maior parte da carga hor\u00e1ria dos tr\u00eas anos do Ensino M\u00e9dio, cuja previs\u00e3o \u00e9 de que chegue a 4.200h. Dessas, apenas 1800h poder\u00e3o ser destinadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o geral. Assim, a \u201cliberdade de escolha\u201d implica em abrir m\u00e3o, obrigatoriamente, de uma forma\u00e7\u00e3o geral consistente \u2013 a qual continuar\u00e1 a ser o foco no ensino privado\u201d, comenta Garlet, refor\u00e7ando o cen\u00e1rio sugerido por Adriana de que o Novo Ensino M\u00e9dio aprofundar\u00e1 o abismo existente entre as escolas p\u00fablicas e privadas, pois essas ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es diferentes de aplica\u00e7\u00e3o dos novos programas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o levantada pelo diretor de Ensino do CTISM \u00e9 a necessidade de que um projeto tal como o do Novo Ensino M\u00e9dio viesse acompanhado de uma complementa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para as escolas p\u00fablicas conseguirem dar conta do aumento da carga hor\u00e1ria e das v\u00e1rias implica\u00e7\u00f5es que isso traz. Contudo, a realidade vem sinalizando o contr\u00e1rio: ao inv\u00e9s de fortalecer as verbas destinadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, o governo Bolsonaro tem estrangulado o or\u00e7amento das escolas e universidades, levando a que muitas institui\u00e7\u00f5es, inclusive, vejam-se em d\u00favida sobre a possibilidade de darem sequ\u00eancia \u00e0s suas atividades.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c[&#8230;] sem previs\u00e3o de investimentos adequados para a educa\u00e7\u00e3o do aluno em tempo integral (refeit\u00f3rios e outros espa\u00e7os), al\u00e9m de recursos humanos para a possibilidade de oferta de todos os itiner\u00e1rios formativos em todas as escolas, a \u201cescolha dos alunos\u201d ficar\u00e1 restrita \u00e0 capacidade de oferta da escola\u201d, preocupa-se Garlet.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>O Novo Ensino M\u00e9dio no CTISM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2019, o CTISM promove discuss\u00f5es sobre o Novo Ensino M\u00e9dio, a BNCC e o PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Did\u00e1tico). \u00c9 o que partilha Garlet, comentando que, de in\u00edcio, fora elaborado um plano de estudo das novas legisla\u00e7\u00f5es aprovadas pelo governo federal da \u00e9poca e das consequ\u00eancias que poderiam trazer para o cotidiano das comunidades escolares. Quem se imbuiu, num primeiro momento, da tarefa de estudar tais documentos foi a equipe pedag\u00f3gica do Departamento de Ensino do col\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos de 2020 e 2021, tal debate foi ampliado e alcan\u00e7ou setores como a Coordenadoria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, T\u00e9cnica e Tecnol\u00f3gica (CEBTT), a Dire\u00e7\u00e3o Geral do CTISM, o Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico, a Coordenadoria Regional de Educa\u00e7\u00e3o e os Institutos Federais pr\u00f3ximos de Santa Maria. Foi realizada, ent\u00e3o, entre essas entidades e representa\u00e7\u00f5es, uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es para que compartilhassem compreens\u00f5es sobre as novas leis e possibilidades de implement\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, Garlet frisa que os anos de 2020 e 2021 foram atravessados pela pandemia e pela suspens\u00e3o da presencialidade nas institui\u00e7\u00f5es federais de ensino, o que freou as possibilidades de uma discuss\u00e3o ampliada acerca do Novo Ensino M\u00e9dio com estudantes, docentes e t\u00e9cnico-administrativos em educa\u00e7\u00e3o. Tal debate, perspectiva o diretor, deve ser realizado neste ano de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o curricular no CTISM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Garlet explica que algumas das exig\u00eancias do Novo Ensino M\u00e9dio j\u00e1 est\u00e3o atendidas na organiza\u00e7\u00e3o curricular dos cursos ofertados pelo CTISM. Exemplo \u00e9 o itiner\u00e1rio formativo dos cursos t\u00e9cnicos integrados ao Ensino M\u00e9dio, solicitado pela nova lei e previamente existente no col\u00e9gio, necessitando, apenas, de corre\u00e7\u00e3o em sua nomenclatura.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos livros a serem utilizados pelo programa do Novo Ensino M\u00e9dio, Garlet comenta que o PNLD disponibilizou obras did\u00e1ticas que atendem aos componentes da BNCC e, por consequ\u00eancia, do Novo Ensino M\u00e9dio. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOutros elementos presentes na nova legisla\u00e7\u00e3o, a exemplo da carga hor\u00e1ria m\u00ednima, da obrigatoriedade de L\u00edngua Portuguesa e Matem\u00e1tica nos tr\u00eas anos, de Ingl\u00eas como l\u00edngua estrangeira, de oferta de forma\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias na \u00e1rea computacional, j\u00e1 est\u00e3o vigentes nos PPCs dos cursos. Apesar disso, projeta-se para este ano uma discuss\u00e3o ampliada \u2013 com toda comunidade escolar \u2013 sobre outros ajustes necess\u00e1rios e atualiza\u00e7\u00e3o ou corre\u00e7\u00e3o dos PPCs\u201d, perspectiva Garlet.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ainda lembra que vem sendo ventilada, no \u00e2mbito da UFSM, a possibilidade de retorno do processo seletivo seriado (aos moldes do que era o PEIES). Se isso acontecer, a Proposta Pedag\u00f3gica Curricular (PPC) dever\u00e1 ser alterada para abarcar os conte\u00fados a serem cobrados, de cada um dos anos do Ensino M\u00e9dio, pelo processo seletivo da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Novo Ensino M\u00e9dio no Polit\u00e9cnico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico da UFSM, as discuss\u00f5es sobre o Novo Ensino M\u00e9dio tiveram in\u00edcio ainda no final de 2018, tendo sequ\u00eancia em 2019, quando um grupo de professores, acompanhados da Dire\u00e7\u00e3o de Ensino e da Dire\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio, aprimorou os debates especialmente acerca do Texto Base da BNCC, da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 03\/2018 e das legisla\u00e7\u00f5es que acompanham as mudan\u00e7as previstas no novo programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Moacir Bolzan, vice-diretor do Polit\u00e9cnico, conta tamb\u00e9m que, paralelamente \u00e0s discuss\u00f5es internas, ocorriam, semanalmente, reuni\u00f5es em conjunto com o Centro de Educa\u00e7\u00e3o, a 8\u00aa Coordenadoria Regional de Educa\u00e7\u00e3o (CRE) e um grupo de Dire\u00e7\u00f5es de Escolas. O objetivo desses encontros era o de elaborar um plano piloto de implanta\u00e7\u00e3o do Novo Ensino M\u00e9dio em 10 escolas estaduais fixadas na \u00e1rea de abrang\u00eancia da CRE.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, foram realizadas assembleias com todos os alunos do Col\u00e9gio para esclarec\u00ea-los sobre a Reforma e colher as impress\u00f5es deles sobre o tema. Mesmo no per\u00edodo da pandemia, o grupo de professores e Dire\u00e7\u00f5es seguiu os trabalhos e a proposta foi conclu\u00edda, sendo aprovada por todas as inst\u00e2ncias administrativas (sem reparos) da UFSM\u201d, acrescenta Bolzan.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele explica que o Novo Ensino M\u00e9dio j\u00e1 vem sendo implementado no Polit\u00e9cnico, para a primeira s\u00e9rie, desde o in\u00edcio do ano letivo de 2021, com o itiner\u00e1rio integrado que contempla todas as \u00e1reas de conhecimento. Agora, as mudan\u00e7as devem atingir os segundos e terceiros anos. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua concep\u00e7\u00e3o, o maior desafio ser\u00e1 a vincula\u00e7\u00e3o das chamadas \u2018compet\u00eancias e habilidades\u2019 com os conte\u00fados j\u00e1 lecionados. Bolzan explica:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cArrastamos uma s\u00f3lida convic\u00e7\u00e3o de que compet\u00eancia est\u00e1 somente ligada aos recursos cognitivos que mobilizamos (comparar, analisar&#8230;). Na verdade, \u00e9 mais do que isso,&nbsp; e precisa estar relacionada \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de desafios, porque as compet\u00eancias que precisamos desenvolver dependem dos contextos e das condi\u00e7\u00f5es sociais em que vivemos. As compet\u00eancias que a escola ir\u00e1 priorizar na forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica devem estar alinhadas com os desafios das pr\u00e1ticas sociais, com foco no protagonismo do aluno\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tendo em vista o percurso dos debates feitos at\u00e9 ent\u00e3o e a forma como o col\u00e9gio vem implementando o Novo Ensino M\u00e9dio, Bolzan assume uma postura otimista: \u201cNesse contexto seguro&nbsp; de constru\u00e7\u00e3o da nossa proposta, tenho a convic\u00e7\u00e3o de que&nbsp; atuaremos numa concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o integral de sujeitos e em condi\u00e7\u00f5es de configurar um perfil de ensino que supere, de longe,&nbsp; as fragilidades da proposta da reforma que nos foi apresentada [&#8230;] Tamb\u00e9m \u00e9 oportuno destacar que a proposta&nbsp; do Ensino M\u00e9dio do Col\u00e9gio contemplou projetos Colaborativos, estruturados com a possibilidade de utilizar a for\u00e7a de trabalho diversificada que temos na Institui\u00e7\u00e3o e&nbsp; atuando de maneira muito ativa em v\u00e1rios cursos, n\u00edveis e modalidades de ensino. Isso tudo aliado a uma condi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel de infraestrutura que dispomos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que Polit\u00e9cnico, CTISM e Col\u00e9gio Militar sejam p\u00fablicos, sabe-se que suas condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura e corpo funcional s\u00e3o bastante diferentes daquelas observadas na grande maioria das escolas p\u00fablicas brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Governo n\u00e3o ouviu educadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se em alguns col\u00e9gios, a exemplo do CTISM e do Polit\u00e9cnico, as comunidades desdobraram-se para conseguirem ampliar, o m\u00e1ximo poss\u00edvel e em meio a uma pandemia, o debate sobre o Novo Ensino M\u00e9dio, tal disposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi observada nem pelo governo Temer, nem pelo governo Bolsonaro. Uma das principais cr\u00edticas feitas tanto pelo Sinasefe quanto por outras entidades ligadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a proposta do Novo Ensino M\u00e9dio foi constru\u00edda \u00e0 revelia das necessidades concretas da educa\u00e7\u00e3o brasileira e sem uma consulta ampla e democr\u00e1tica aos principais atores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem: professores e estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConcordo com a maioria das cr\u00edticas que&nbsp; est\u00e3o sendo feitas \u00e0 proposta da reforma, porque n\u00e3o ocorreu&nbsp; uma discuss\u00e3o mais ampla e apropriada com a sociedade e nem uma participa\u00e7\u00e3o mais efetiva dos docentes. No entanto, a proposta constru\u00edda pelo Col\u00e9gio n\u00e3o repetiu esses equ\u00edvocos e ela sintetiza uma constru\u00e7\u00e3o a partir da nossa realidade\u201d, defende Bolzan, referindo-se \u00e0 proposta elaborada pela comunidade do Polit\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p>Garlet classifica a falta de di\u00e1logo do governo como um \u201cv\u00edcio de origem\u201d na legisla\u00e7\u00e3o que institui o Novo Ensino M\u00e9dio. Para ele, o modo como a MP 746 converteu-se em lei foi \u201cunilateral e arbitr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sindicatos ligados \u00e0 \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o apontam como problem\u00e1ticas a redu\u00e7\u00e3o das disciplinas ligadas \u00e0s \u00e1reas humanas, a introdu\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o tecnicista de educa\u00e7\u00e3o e as desigualdades que o Novo Ensino M\u00e9dio tende a acarretar entre escolas p\u00fablicas e privadas, ou mesmo entre regi\u00f5es mais pobres e mais desenvolvidas do pa\u00eds. O governo, por sua vez, justificou as altera\u00e7\u00f5es no ensino m\u00e9dio como uma forma de conceder mais autonomia aos estudantes, tornar o ensino mais atrativo e diminuir a evas\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Garlet, contudo, a nova lei est\u00e1 longe de resolver os gargalos da educa\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSeguramente, problemas como a evas\u00e3o se resolvem com investimentos sociais (diminui\u00e7\u00e3o de problemas sociais, como a mis\u00e9ria, a fome, as desigualdades de renda) e valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, desde a infraestrutura das escolas at\u00e9 os servidores, com planos de capacita\u00e7\u00e3o, de qualifica\u00e7\u00e3o, de sal\u00e1rios e de carreira atraentes\u201d, opina o diretor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao n\u00e3o contemplar nenhum dos aspectos acima, a chamada Reforma do Ensino M\u00e9dio n\u00e3o reduziria os problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Governo \u2013 e o MEC \u2013 realizaram uma interpreta\u00e7\u00e3o sem fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica ou metodol\u00f3gica acerca dos n\u00fameros de evas\u00e3o e de desempenho dos estudantes, n\u00e3o abriram o di\u00e1logo com as comunidades escolares e, tampouco, com organiza\u00e7\u00f5es de base e especialistas, configurando uma tomada de decis\u00e3o arbitr\u00e1ria (considere-se que, em pesquisa on-line promovida pelo Senado, mais de 70 mil votos foram contr\u00e1rios \u00e0 reforma e pouco mais de 4 mil foram favor\u00e1veis) e que refor\u00e7a o dualismo de classe na educa\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Garlet.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sinasefe debate o Novo Ensino M\u00e9dio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Figura central na oposi\u00e7\u00e3o ao projeto de Reforma do Ensino M\u00e9dio desde sua origem, o Sinasefe segue vigilante com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como a nova lei tem sido implementada nos col\u00e9gios federais pa\u00eds afora. Na pen\u00faltima <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/sinasefesm.com\/170a-plena-do-sinasefe-aprova-estado-de-greve-com-calendario-de-mobilizacao-nas-bases\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/sinasefesm.com\/170a-plena-do-sinasefe-aprova-estado-de-greve-com-calendario-de-mobilizacao-nas-bases\/\" target=\"_blank\">Plen\u00e1ria Nacional<\/a>, por exemplo, foi solicitado que as se\u00e7\u00f5es sindicais enviem informa\u00e7\u00f5es acerca de como est\u00e3o os processos de implementa\u00e7\u00e3o do Novo Ensino M\u00e9dio em suas bases.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Cr\u00e9dito Imagem 1: Daniel Mello\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Cr\u00e9dito Imagem 2: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Novo Ensino M\u00e9dio (NEM) deve come\u00e7ar a ser implementado nas escolas p\u00fablicas e privadas do pa\u00eds, neste ano de 2022. Advindo da Medida Provis\u00f3ria (MP) 746\/2016,&nbsp; proposta pelo governo de Michel Temer e que em menos de seis meses foi convertida na Lei n\u00ba 13.415\/017, o projeto enfrentou \u2013 e ainda enfrenta \u2013 duras<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":4390,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37,41],"tags":[],"class_list":{"0":"post-4389","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaque","8":"category-movimento"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4389\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4390"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}