{"id":5720,"date":"2023-03-18T17:55:35","date_gmt":"2023-03-18T17:55:35","guid":{"rendered":"https:\/\/sinasefesm.com\/?p=5720"},"modified":"2023-03-18T17:55:35","modified_gmt":"2023-03-18T17:55:35","slug":"professoras-avaliam-como-urgente-a-revogacao-do-novo-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/2023\/03\/18\/professoras-avaliam-como-urgente-a-revogacao-do-novo-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Professoras avaliam como urgente a revoga\u00e7\u00e3o do Novo Ensino M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"\n<p>A \u00faltima quarta-feira, 15 de mar\u00e7o, foi marcada por protestos de estudantes, professores, movimentos sociais e demais atores envolvidos no cen\u00e1rio da educa\u00e7\u00e3o brasileira. Em v\u00e1rios pontos do pa\u00eds, mobiliza\u00e7\u00f5es exigiam a revoga\u00e7\u00e3o do Novo Ensino M\u00e9dio (NEM), implementado com a lei n\u00ba 13.415, de 2017, e em cuja ess\u00eancia est\u00e1 uma reorganiza\u00e7\u00e3o curricular e a implementa\u00e7\u00e3o dos chamados \u2018itiner\u00e1rios formativos\u2019, com a limita\u00e7\u00e3o de carga hor\u00e1ria reservada a uma s\u00e9rie de disciplinas at\u00e9 ent\u00e3o obrigat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>A contrariedade \u00e0 Reforma do Ensino M\u00e9dio n\u00e3o \u00e9 de hoje, tendo sido a pauta principal das ocupa\u00e7\u00f5es secundaristas no ano de 2016. Naquele momento, escolas de Ensino M\u00e9dio e tamb\u00e9m universidades eram ocupadas para reivindicar a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 Medida Provis\u00f3ria (MP) 746\/2016, que propunha o NEM. Posteriormente, Michel Temer, \u00e0 \u00e9poca presidente, sancionou a MP, transformando-a na lei que hoje conhecemos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/800px-Ocupacao-de-escola-publica-em-Brasilia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5722\" width=\"622\" height=\"426\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Ocupa\u00e7\u00e3o contra a Reforma do Ensino M\u00e9dio, em 2016 (Foto: Wilson Dias\/Ag\u00eancia Brasil)<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Para Adriana Bonum\u00e1, secret\u00e1ria de Assuntos Legislativos e Jur\u00eddicos do Sinasefe Santa Maria e professora no Col\u00e9gio Militar de Santa Maria, o NEM \u00e9 uma proposta hierarquizante e constru\u00edda sem ter tido o amplo debate com os principais envolvidos e afetados pelas mudan\u00e7as: estudantes e professores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o haveria um grande problema na diversifica\u00e7\u00e3o curricular que os itiner\u00e1rios prop\u00f5em, mas houve uma desorganiza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o geral b\u00e1sica, e acabou que disciplinas muito importantes que fazem parte dessa forma\u00e7\u00e3o tiveram sua carga hor\u00e1ria extremamente reduzida, ficando a obrigatoriedade basicamente de L\u00edngua Portuguesa e Matem\u00e1tica. Foi reduzida drasticamente a oferta de Sociologia, Biologia, Filosofia, Artes, Qu\u00edmica\u201d, explica a dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Adriana comenta que o Col\u00e9gio Militar de Santa Maria, onde leciona, fez a adapta\u00e7\u00e3o curricular demandada pela lei do NEM, conseguindo que os itiner\u00e1rios formativos seguissem a l\u00f3gica das carreiras universit\u00e1rias e abarcassem o foco para concursos, vestibulares e Enem. Contudo, diferentemente desse caso ou mesmo da realidade das escolas privadas, na rede p\u00fablica a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem diferente, levando a que a reforma do Ensino M\u00e9dio assuma contornos completamente distintos a depender da classe social a que pertencem os estudantes que acessam determinada escola.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAs escolas p\u00fablicas tiveram uma grande dificuldade de implementar o Novo Ensino M\u00e9dio. O que acabou acontecendo \u00e9 que houve uma miscel\u00e2nea de disciplinas criadas pelas diferentes escolas, e que muito pouco podem auxiliar nessa forma\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante que \u00e9 o Ensino M\u00e9dio. Talvez como uma forma de complementa\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo tudo bem, mas elas est\u00e3o sendo criadas dentro de itiner\u00e1rios formativos, o que \u00e9 um grande problema. Essas escolas que implementaram disciplinas t\u00e3o diferentes, tirando disciplinas fundamentais para a forma\u00e7\u00e3o \u2013 diferentemente de escolas privadas, que fizeram seu curr\u00edculo atrelado a Enem e a vestibulares \u2013 ter\u00e3o estudantes com condi\u00e7\u00f5es de concorr\u00eancia [para acessar o ensino superior]? Observamos que a discrep\u00e2ncia e a desigualdade de condi\u00e7\u00f5es tende a se ampliar cada vez mais. Acredito que essa seja uma boa raz\u00e3o para que seja revogado o Novo Ensino M\u00e9dio\u201d, argumenta Adriana.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Intensificando as desigualdades<\/h2>\n\n\n\n<p>Cl\u00e1udia do Amaral, secret\u00e1ria geral do Sinasefe Santa Maria e professora do Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico da Ufsm, corrobora a opini\u00e3o de Adriana acerca das desigualdades existentes na implementa\u00e7\u00e3o do NEM em escolas p\u00fablicas e privadas. O resultado tende a ser um aligeiramento da forma\u00e7\u00e3o de jovens da classe trabalhadora e uma elitiza\u00e7\u00e3o da universidade p\u00fablica, tendo em vista que estudantes de escolas privadas, tradicionalmente tamb\u00e9m possuidores de condi\u00e7\u00f5es para pagar cursos complementares de preparo para processos seletivos das universidades, teriam mais chances de ingresso nos bancos acad\u00eamicos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/336374287_892645168620194_2579583646592789789_n.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5728\" width=\"-5\" height=\"-3\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Sinasefe participou de protesto contra o NEM na \u00faltima quarta, 15, em Bras\u00edlia (DF)<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>\u201cEsse \u2018Novo Ensino M\u00e9dio\u2019 vai acabar por intensificar as desigualdades da educa\u00e7\u00e3o para o pobre e para o rico, porque a lei \u00e9 bem limitada, com exig\u00eancia apenas de disciplinas b\u00e1sicas como Portugu\u00eas, Matem\u00e1tica e Ingl\u00eas, e um aprofundamento a partir de um itiner\u00e1rio relativo a cada \u00e1rea do conhecimento. O sujeito que est\u00e1 em uma comunidade que oferece um eixo de aprofundamento profissional em Mec\u00e2nica, mas tem o sonho de ser m\u00e9dico, deveria cursar o aprofundamento em Ci\u00eancias da Natureza, mas ele n\u00e3o vai poder ter acesso a essa disciplina, talvez de forma muito prec\u00e1ria, porque n\u00e3o vai ser obrigat\u00f3ria no curr\u00edculo. E na escola privada continuam sendo dadas todas as disciplinas\u201d, reflete Cl\u00e1udia.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, devido ao NEM, os itiner\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o profissional t\u00eam, de forma geral, preconizado uma forma\u00e7\u00e3o voltada ao empreendedorismo. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas de que forma o empreendedorismo vem sendo tratado nas escolas nesse momento de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, de descaso e flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas, em que cada sujeito se torna uma empresa? Isso pode ser muito danoso para esses sujeitos, principalmente estudantes pobres de escola p\u00fablica. Tamb\u00e9m tem de se refletir sobre os processos seletivos. A Ufsm est\u00e1 discutindo o retorno do vestibular. Como vai ser? Ser\u00e3o repensados a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e o Novo Ensino M\u00e9dio?\u201d, questiona, com preocupa\u00e7\u00e3o, a secret\u00e1ria geral do sindicato.<\/p>\n\n\n\n<p>No Polit\u00e9cnico, explica, foi elaborado o itiner\u00e1rio integrado, formado por todas as \u00e1reas do conhecimento, pois a comunidade da unidade entende que, de 14 a 18 anos, o jovem necessita ter acesso a todas as \u00e1reas para, em seguida, realizar sua escolha profissional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Retomar as metas do PNE<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Ao inv\u00e9s de impor uma educa\u00e7\u00e3o fragmentada e restrita para a escola p\u00fablica, como observado no NEM, o foco deveria ser retomar as metas do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE) e promover \u00e0 juventude mais oportunidades de acesso ao conhecimento. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Mariglei Maraschin, professora do Col\u00e9gio T\u00e9cnico Industrial (CTISM) da Ufsm, para quem \u00e9 urgente e necess\u00e1rio revogar o NEM, tendo em vista que ele acentua a diferencia\u00e7\u00e3o entre as classes sociais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cPara a escola p\u00fablica uma educa\u00e7\u00e3o fragmentada, restrita e que n\u00e3o desenvolve o sujeito como um todo. Na Educa\u00e7\u00e3o privada uma educa\u00e7\u00e3o integral, com muitas possibilidades de desenvolvimento. A revoga\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para termos, de fato, um amplo debate sobre uma etapa t\u00e3o fundamental da vida dos nossos estudantes. Precisamos retomar as metas do PNE e olharmos para as diferentes redes em nosso pa\u00eds. Temos, por exemplo, na Educa\u00e7\u00e3o Profissional um modelo de Ensino M\u00e9dio que \u00e9 refer\u00eancia em todo o pa\u00eds: o Ensino M\u00e9dio Integrado. A Rede de EPT oportuniza forma\u00e7\u00e3o integrada com qualidade e promovendo sujeitos que t\u00eam a oportunidade de conviver, de desenvolver pesquisas e de desenvolver-se em todas as \u00e1reas, al\u00e9m da Profissional. Temos que promover mais aos nossos jovens e n\u00e3o cada vez menos&#8230;temos que valorizar todas as \u00e1reas e n\u00e3o privilegiar apenas algumas&#8230;\u201d, defende a docente.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Que lugar a Reforma do Ensino M\u00e9dio reserva ao EJA?<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma provoca\u00e7\u00e3o levantada por Mariglei \u00e9 relativa \u00e0 import\u00e2ncia da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) e \u00e0 secundariza\u00e7\u00e3o que a modalidade ocupa na lei do NEM.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor bastante tempo ela n\u00e3o apareceu nas discuss\u00f5es. Mas retomar uma pol\u00edtica de Educa\u00e7\u00e3o passa necessariamente por pensar estrat\u00e9gias de forma\u00e7\u00e3o para trabalhadores sem escolaridade em nosso pa\u00eds. Por isso, a EJA e a EJA-EPT precisam entrar neste debate e nesta retomada de uma pol\u00edtica educacional em um novo governo que elegeu-se com as bandeiras da Educa\u00e7\u00e3o e da Educa\u00e7\u00e3o Profissional e como estrat\u00e9gia de desenvolvimento, principalmente p\u00f3s pandemia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O Sinasefe, desde quando o NEM era ainda apenas um projeto, tem se envolvido na luta contra a reforma, constru\u00edda \u00e0 revelia do que pensavam a comunidade escolar e pesquisadores do mundo da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00faltima quarta-feira, 15 de mar\u00e7o, foi marcada por protestos de estudantes, professores, movimentos sociais e demais atores envolvidos no cen\u00e1rio da educa\u00e7\u00e3o brasileira. 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