{"id":6736,"date":"2024-06-13T14:10:48","date_gmt":"2024-06-13T14:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/sinasefesm.com\/?p=6736"},"modified":"2024-06-13T14:10:48","modified_gmt":"2024-06-13T14:10:48","slug":"a-volta-as-salas-de-aula-apos-o-caos-das-chuvas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinasefesm.com\/index.php\/2024\/06\/13\/a-volta-as-salas-de-aula-apos-o-caos-das-chuvas\/","title":{"rendered":"A\u00a0volta \u00e0s salas de aula ap\u00f3s\u00a0o caos das chuvas"},"content":{"rendered":"\n<p>Entre os dias primeiro e 20 de maio, as aulas na UFSM foram suspensas, devido \u00e0 intensidade das chuvas que atingiram n\u00e3o somente Santa Maria, mas o estado como um todo, deixando cidades inteiramente destru\u00eddas. No&nbsp;<em>campus&nbsp;<\/em>sede da Universidade n\u00e3o foi diferente,&nbsp;assim como o campus de Cachoeira do Sul, os dois mais atingidos. Semanas de suspens\u00e3o foram necess\u00e1rias para recuperar espa\u00e7os afetados, incluindo&nbsp;os&nbsp;dos&nbsp;col\u00e9gios Polit\u00e9cnico&nbsp;e&nbsp;CTISM. Contudo, no processo de retorno tamb\u00e9m \u00e9 preciso ponderar a afeta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica deservidores\/as e alunos\/as, que acompanharam, de diferentes perspectivas, o Rio Grande do Sul sendo devastado em poucos dias. \u00c9 poss\u00edvel retornar \u00e0 normalidade das aulas em meio a um cen\u00e1rio t\u00e3o ca\u00f3tico?<\/p>\n\n\n\n<p>Na UFSM,&nbsp;o retorno&nbsp;ocorreu em 20 de maio, por\u00e9m,&nbsp;com foco em a\u00e7\u00f5es de acolhimento e sem que pudessem ser aplicadas provas e trabalhos, segundo<a href=\"https:\/\/portal.ufsm.br\/documentos\/publico\/documento.html?id=15067373\">&nbsp;informa\u00e7\u00f5es publicadas pela Institui\u00e7\u00e3o<\/a>. A volta \u00e0 normalidade total das atividades acad\u00eamicas ocorreu apenas dia tr\u00eas de junho. Para se&nbsp;ter&nbsp;uma no\u00e7\u00e3o dos estragos provocados pelas chuvas, na Reitoria, a \u00e1gua inundou o Departamento de Arquivo Geral (DAG), os transformadores de energia e a Editora da Institui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no&nbsp;Polit\u00e9cnico&nbsp;houve&nbsp;infiltra\u00e7\u00f5es em laborat\u00f3rios de inform\u00e1tica, de carnes e de sa\u00fade, al\u00e9m de alagamentos nos laborat\u00f3rios de an\u00e1lise sensorial de alimentos e de microbiologia. No CTISM, o cen\u00e1rio n\u00e3o foi diferente,&nbsp;com&nbsp;salas de aula&nbsp;alagadas e laborat\u00f3rios atingidos, exigindo um per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os. Per\u00edodo esse que precisou ser r\u00e1pido, uma vez que o col\u00e9gio, assim como demais setores da Universidade, corria o risco de perder alunos caso a suspens\u00e3o das aulas perdurasse por muito tempo, conforme informa a professora do col\u00e9gio e Secret\u00e1ria de Administra\u00e7\u00e3o do&nbsp;Sinasefe&nbsp;de Santa Maria,&nbsp;Mariglei&nbsp;Maraschin. Saiba mais sobre as consequ\u00eancias das fortes chuvas na Universidade&nbsp;<a href=\"https:\/\/sinasefesm.com\/ufsm-busca-mitigar-efeitos-das-chuvas-mas-estudantes-sofrem\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sinasefesm.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/WhatsApp-Image-2024-06-13-at-10.28.46-edited.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6741\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">UFSM alagada pelas fortes chuvas.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Os col\u00e9gios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para o Vice-Diretor do Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico, Moacir Bolzan, n\u00e3o haveria como definir uma data ideal para voltar \u00e0s aulas, considerando a situa\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofe. Por isso, a UFSM realizou um diagn\u00f3stico acerca da situa\u00e7\u00e3o dos estudantes e servidores para estabelecer as datas de retorno, citadas anteriormente. Nesse sentido, o Polit\u00e9cnico consultou seus discentes e avaliou os danos&nbsp;infraestruturais&nbsp;da escola antes de voltar, e, quando o fez, promoveu atividades de acolhimento voltadas \u00e0s instabilidades emocionais pelas quais os alunos poderiam estar passando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, o CTISM se mobilizou com atividades de recep\u00e7\u00e3o, ainda que nem mesmo os docentes soubessem como lidar com a situa\u00e7\u00e3o.&nbsp;De acordo&nbsp;com&nbsp;Mariglei: \u2018\u2019<em>precisamos aprender com esta situa\u00e7\u00e3o e exigir espa\u00e7os formativos antes que ocorram novas situa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 depois que acontece uma trag\u00e9dia que vamos organizar algo. O professor, cada vez mais, tem que se instrumentalizar para o pedag\u00f3gico. N\u00e3o \u00e9 somente saber e ser o melhor no conte\u00fado, mas saber lidar com as diferentes situa\u00e7\u00f5es. E saber acolher, mediar e respeitar as diferentes realidades: quem foi&nbsp;<\/em><em>atingido precisa de apoio<\/em><em>&nbsp;e quem n\u00e3o foi precisa buscar alternativas para auxiliar, para agir r\u00e1pido e eficazmente nos momentos de crise<\/em>\u2019\u2019, refor\u00e7a a Secret\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao encontro desse pensamento, a docente de psicologia da UFSM, Jana&nbsp;Zappe, esclarece que, nesse primeiro momento de retorno \u00e0 rotina, \u00e9 comum haver uma&nbsp;diversidade de emo\u00e7\u00f5es e comportamentos dentro de sala de aula. Por isso, os professores devem se mostrar dispon\u00edveis a acolher os alunos, para que eles entendam que possuem uma rede de apoio no ambiente escolar. \u2018\u2019<em>\u00c9 importante estar dispon\u00edvel para estar junto nesse momento delicado, o que envolve desde escutar quem desejar falar, quanto respeitar o sil\u00eancio de quem n\u00e3o deseja se manifestar<\/em>\u2019\u2019, comenta a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O sentimento de impot\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jana ainda explica que sentimentos de sobrecarga, confus\u00e3o, desorienta\u00e7\u00e3o e medo s\u00e3o respostas esperadas em momentos como este de grande mudan\u00e7a na normalidade. E o n\u00edvel de afeta\u00e7\u00e3o de cada indiv\u00edduo depende de uma s\u00e9rie de fatores, que v\u00e3o desde o envolvimento direto com os alagamentos at\u00e9 o qu\u00e3o estabilizado estava o psicol\u00f3gico antes da cat\u00e1strofe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018\u2019<em>A sensa\u00e7\u00e3o de culpa e de impot\u00eancia pode estar relacionada com a dimens\u00e3o do desastre, pois ele realmente ultrapassa a nossa capacidade de resposta, tanto individualmente quanto coletivamente. \u00c9 perfeitamente razo\u00e1vel nos sentirmos pequenos, fr\u00e1geis e impotentes para enfrentar uma avalanche de perdas humanas e materiais em grande escala, e \u00e9 perfeitamente compreens\u00edvel o nosso sofrimento diante desses sentimentos e acontecimentos<\/em>\u2019\u2019, destaca a docente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante do curso T\u00e9cnico em Secretariado do Col\u00e9gio Polit\u00e9cnico, Milena Neves, relata ter sofrido com os sentimentos citados acima, atrapalhando inclusive seu desempenho em sala de aula, no retorno feito ao final de maio: \u2018\u2019<em>eu n\u00e3o me sentia preparada para retornar na semana do dia 20 de maio. Analisando n\u00e3o apenas o que senti, mas tamb\u00e9m&nbsp;<\/em><em>as situa\u00e7\u00f5es de outras pessoas,&nbsp;<\/em><a><\/a><em>acredito que poder\u00edamos ter esperado mais um tempo antes de voltar, porque os primeiros dias foram dif\u00edceis. Al\u00e9m de toda a situa\u00e7\u00e3o do estado e do sentimento de luto, o ritmo das atividades havia sido perdido. Tive dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o<\/em>\u2019\u2019, exp\u00f5e a aluna.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de relatos como esse, ainda que Jana&nbsp;Zappe&nbsp;n\u00e3o acredite ser conceb\u00edvel esquecer completamente o ocorrido, a psic\u00f3loga defende que \u00e9 poss\u00edvel tentar lidar melhor com a situa\u00e7\u00e3o, por meio do conv\u00edvio com uma rede de apoio e ambientes de acolhimento, pois coletivamente \u00e9 menos dif\u00edcil enfrentar a situa\u00e7\u00e3o. \u2018\u2019<em>Podemos sair do sentimento de impot\u00eancia, que \u00e9 leg\u00edtimo, quando partimos para alguma a\u00e7\u00e3o de enfrentamento<\/em>\u2019\u2019, comenta a docente. Para isso, existem variadas possibilidades de solidariedade, como disponibiliza\u00e7\u00e3o de recursos financeiros, \u00e1gua, comida, roupa e at\u00e9 mesmo tempo, por meio de voluntariado.<\/p>\n\n\n\n<p>O docente Moacir Bolzan comprova a efici\u00eancia da coletividade para combater os sentimentos ruins: \u2018\u2019<em>sabemos que o fardo emocional da trag\u00e9dia pode parecer insuport\u00e1vel quando carregado sozinho. Por isso, houve um grande esfor\u00e7o para a busca de apoio nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, o que proporcionou um al\u00edvio significativo na situa\u00e7\u00e3o de crise sentida por cada um de n\u00f3s. Compartilhar as preocupa\u00e7\u00f5es e sentimentos reduziu o isolamento emocional e funcionou como uma fonte de conforto e suporte de seguran\u00e7a\u2019<\/em>\u2019, relata Bolzan. Ent\u00e3o, ao mesmo tempo em que voltar \u00e0 rotina pode ser dificultoso e exigir de n\u00f3s mais esfor\u00e7os, o retorno \u00e0 normalidade tamb\u00e9m pode amenizar as sensa\u00e7\u00f5es de impot\u00eancia, tristeza e frustra\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante buscar pelo equil\u00edbrio neste momento, n\u00e3o nos isolando da rotina, mas sem for\u00e7ar atividades que possam provocar a sensa\u00e7\u00e3o de sobrecarga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Revis\u00e3o do calend\u00e1rio da UFSM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que o per\u00edodo ainda seja de recupera\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os afetados pelas chuvas, j\u00e1 surgem novas afli\u00e7\u00f5es em decorr\u00eancia das incertezas relacionadas ao t\u00e9rmino do primeiro semestre letivo da UFSM, afinal, houve uma interrup\u00e7\u00e3o significativa de tr\u00eas semanas no calend\u00e1rio letivo. No entanto, o Reitor Luciano&nbsp;Schuch&nbsp;informou, em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/2024\/05\/23\/novo-calendario-academico-de-2024-sera-definido-apenas-quando-a-greve-terminar\">reuni\u00e3o aberta<\/a>&nbsp;realizada dia 23 de maio, que o novo calend\u00e1rio acad\u00eamico ser\u00e1 estruturado apenas quando a greve dos docentes e t\u00e9cnico-administrativos em educa\u00e7\u00e3o (TAEs) acabar. O movimento grevista iniciou em mar\u00e7o com os&nbsp;TAEs&nbsp;e, em abril, o corpo docente aderiu \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento de publica\u00e7\u00e3o desta reportagem, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para o fim da greve.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><em>Texto: Laurent Keller<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Imagem:&nbsp;Xain\u00e3&nbsp;Pitaguary e arquivo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Fritz&nbsp;<\/em><em>Rivail<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os dias primeiro e 20 de maio, as aulas na UFSM foram suspensas, devido \u00e0 intensidade das chuvas que atingiram n\u00e3o somente Santa Maria, mas o estado como um todo, deixando cidades inteiramente destru\u00eddas. No&nbsp;campus&nbsp;sede da Universidade n\u00e3o foi diferente,&nbsp;assim como o campus de Cachoeira do Sul, os dois mais atingidos. 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