A coordenadora-geral do Sinasefe SM, Cláudia do Amaral, que também é docente no Colégio Politécnico, abordou algumas dificuldades que a categoria do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) vem enfrentando na UFSM. Ela citou a mudança, considerada de cima para baixo, efetuada pela Reitoria da instituição, que acabou com a Coordenadoria (CEBTT), montou um Grupo de Trabalho (GT) e somente depois convidou as escolas vinculadas e o sindicato.
Essa manifestação abriu a roda de conversa “Democracia na UFSM: em que pé estamos?”, organizado por Sedufsm, Assufsm, DCE, e que teve a participação do Sinasefe SM. A atividade ocorreu na manhã desta quinta, 16 de abril, no Auditório do CCSH (prédio 74C). Também esteve representando o Sinasefe SM, o servidor do CTISM, Adão Pillar Damasceno, coordenador-geral da entidade.
A coordenadora do Sinasefe SM avaliou que a decisão da Reitoria da UFSM foi lamentável, pois colocou em nível secundário todo o segmento EBTT, e que isso não é um exemplo que pode ser entendido como uma ação dialogada. Cláudia lembrou ainda que docentes dessa carreira também estão sob pressão no que se refere a uma cobrança do Judiciário para que seja instalado o controle eletrônico de frequência.
Representando um dos grupos políticos dirigentes da Assufsm, a coordenadora Natália San Martin dos Santos, resgatou o que ela considera um debate já antigo, que se refere à universidade ter um orçamento com participação popular e transparência. Nesse sentido, ela voltou ao tema da extinção da CEBTT, questionando se, quando se extingue um Cargo de Direção (CD), essa função não deveria ter seu destino discutido com a comunidade.
Desigualdade
Falaram ainda na atividade o presidente da Sedufsm, professor Everton Picolotto, e as outras coordenadoras da Assufsm, Loiva Chansis e Gabriela Malaquias.
Picolotto, que também foi organizador do livro “A elite acadêmica” sublinhou que, apesar de alguns avanços na democracia interna, ainda se percebe que a desigualdade na UFSM segue presente, especialmente quando são observadas as questões de gênero e de raça, com segmentos mantidos em exclusão das funções e cargos de maior relevância, como são o caso de mulheres, negros e indígenas.

Loiva Chansis fez reflexões sobre a ideia de democratização, que o conceito não pode ser tratado de forma isolada. Ela defendeu que a democracia está diretamente ligada à estrutura como um todo e às relações de poder dentro da universidade. Destacou que as mulheres, embora maioria da força de trabalho na instituição, seguem afastadas dos espaços reais de poder, em grande parte devido à sobrecarga das múltiplas jornadas.
Gabriela Malaquias enfatizou que a universidade se sustenta a partir de um tripé formado por técnicos-administrativos(as) em Educação, docentes e estudantes, mas alertou que muitos ainda desconhecem como funcionam os processos internos de decisão. Esse distanciamento, segundo ela, contribui para o esvaziamento de espaços coletivos, como as comissões e grupos de trabalho, além de dificultar a mobilização das categorias.
Encaminhamento
O principal encaminhamento da atividade desta quinta-feira foi a constituição de um Fórum dos sindicatos vinculados à educação da UFSM, mais o DCE, para articulação conjuntas. Esse grupo poderá ter ainda a participação estendida ao Cpers e ao Sinprosm.
E uma das primeiras atividades práticas do Fórum deverá ser a ação conjunta para a entrega de um documento do Sinasefe SM à Reitoria, em contraponto à extinção da CEBTT.
Durante a roda de conversa, a coordenadora-geral da seção sindical, Cláudia do Amaral, entregou um material impresso sobre a necessidade de valorização do segmento EBTT ao presidente da Sedufsm, Everton Picolotto (foto). Esse mesmo material foi entregue às demais entidades e, segundo ela, todas e todos presentes ao debate ficaram bastante sensibilizados/as com a demanda trazida pela entidade.

Texto: Fritz Rivail com a colaboração da Assufsm e Sedufsm
Fotos: Fritz Rivail
