Iniciou nesta terça, 3 de novembro, em Brasília, e vai até sábado, 7 de novembro, o 38º Congresso Nacional do Sinasefe (Consinasefe). O tema do evento é “Fortalecer o Sinasefe para defender a educação pública, a democracia, a soberania e a luta da classe trabalhadora contra o neoliberalismo e a extrema direita”. Representam o Sinasefe Santa Maria o coordenador-geral da entidade, Adão Pillar Damasceno, e a secretária de Administração da seção sindical, Lidiane Barroso.
Conforme divulgado pela organização do congresso, há uma presença de mais de 600 pessoas. Além da mesa de abertura, os(as) participantes se envolveram no debate de análise de Conjuntura e organização sindical. O evento que se estende até sábado (07/11), elegerá também o Conselho Fiscal, o Conselho de Ética e a 16ª Direção Nacional Colegiada do Sinasefe, todas instâncias com mandato para o biênio 2026-2028.
Mesa de abertura
Composta pela coordenação geral do Sinasefe e pela representação das entidades da educação (Andes-SN e Fasubra), a mesa de abertura dos trabalhos do Congresso Eleitoral foi iniciada por volta de 14h50 de terça, dia 3. Participaram deste momento: Cláudio Mendonça (presidente do Andes-SN), Francisco Freitas (coordenador-geral), Flávia Cândida (coordenadora-geral), Antonildo Pereira (coordenador-geral) e Wagner Vieira Araújo (coordenador-geral da Fasubra).
Cláudio Mendonça (presidente do Andes-SN)destacou a força das mobilizações populares na recente vitória eleitoral contra a extrema direita e enfatizou que a conquista de direitos no novo governo dependerá fortemente da continuidade da pressão nas ruas. Representante docente federal, o dirigente defendeu a autonomia e a unidade das entidades sindicais (como Andes-SN, SINASEFE e Fasubra) para enfrentar o mercado financeiro, as políticas de ajuste fiscal e um Congresso conservador focado na retirada de direitos da classe trabalhadora.
Francisco Freitas (coordenador-geral) enfatizou o Consinasefe como o espaço decisivo de definição da linha política para os próximos dois anos, celebrando a vitória eleitoral e a coragem da entidade no enfrentamento à extrema direita. O dirigente destacou que a mobilização popular nas ruas e redes foi o divisor de águas que impediu um cenário neofascista de risco total às conquistas da Constituição de 1988, incluindo a educação pública, o SUS e os direitos civis. Por fim, alertou que o resultado das urnas provou que priorizar ajustes fiscais e o mercado não resolve os problemas do povo nem vence eleições.
Flávia Cândida (coordenadora-geral)deu as boas-vindas aos participantes e agradeceu o empenho das comissões organizadora e eleitoral, destacando a relevância da unidade da classe trabalhadora demonstrada no segundo turno das eleições. A dirigente defendeu que as disputas e divergências políticas durante o Consinasefe ocorram com leveza e respeito aos diferentes projetos, e enfatizou que, após a posse da nova gestão, o compromisso central deve ser manter a base do sindicato unida e mobilizada para enfrentar os duros desafios dos próximos quatro anos, como o combate ao voto distrital e o avanço da extrema direita.
Antonildo Pereira (coordenador-geral) saudou também as delegações, ressaltando as boas-vindas, parabenizando a base por entender o momento crítico da conjuntura e ratificar a decisão de apoiar a reeleição do presidente Lula. O dirigente enfatizou que a mudança de rumo e o susto entre o primeiro e o segundo turno foram fundamentais para reacender a centelha de luta e levar a classe trabalhadora às ruas, garantindo a vitória eleitoral. Ao fazer um balanço de sua gestão na Coordenação Geral, destacando a realização de 17 plenárias e mais de 20 reuniões de DN, além de dezenas de eventos nacionais. Ele agradeceu às seções sindicais e ao seu coletivo (Sinasefe para Lutar – SPL), concluindo que o caminho a seguir exige a continuidade da mobilização nas ruas para pautar as bandeiras dos trabalhadores diante de um Congresso Nacional conservador.
O coordenador-geral da Fasubra, Wagner Vieira Araújo, se uniu aos participantes do Consinasefe (ao final da aprovação do Regimento Interno) reforçando a importância da atuação conjunta das entidades. Ele saudou o Congresso do SINASEFE e destacou a histórica parceria entre as entidades na defesa da Educação Federal. Wagner celebrou conquistas recentes obtidas pela mobilização, como a aprovação parlamentar da indenização de fronteira e defendeu como pautas prioritárias a democratização das instituições de ensino e a criação do auxílio-nutrição para assegurar dignidade aos aposentados e aposentadas, reafirmando que a Fasubra marchará junto ao Sinasefe para pressionar o governo e conquistar novas vitórias para as categorias.

Mesa de Conjuntura e organização sindical
Composta por lideranças políticas, docentes e técnico-administrativos, a mesa de Conjuntura e organização sindical debateu os rumos da conjuntura nacional e internacional pós-eleitoral, convergindo na avaliação de que a vitória contra a extrema direita foi fruto de um histórico levante popular nas ruas e nas redes.
Os debatedores enfatizaram que o neofascismo e a pressão do mercado financeiro continuam sendo ameaças ativas, defendendo a independência de classe e a rejeição de qualquer tipo de ajuste fiscal. De modo geral, as falas das(os) palestrantes reforçaram a necessidade urgente de organizar as bases para manter a pressão contínua pela esquerda sobre o governo, defendendo a recomposição orçamentária da educação e a defesa intransigente dos direitos sociais. Fizeram falas: Vera Lúcia (ex-candidata à Presidência), Theo Martins Lubliner (professor do IFS), Francisco Freitas (TAE do IFPB), Michel Torres (professor da USP) e Erika Kokay (deputada federal pelo PT-DF).
Vera Lúcia (ex-candidata à presidência) enfatizou que a vitória eleitoral contra a extrema direita foi um importante impulso para a classe trabalhadora, mas alertou que o bolsonarismo permanece politicamente vivo e só será derrotado definitivamente por meio da disputa ideológica e da ocupação contínua das ruas. Conectando o cenário brasileiro às mobilizações internacionais por moradia e direitos sociais (como na Europa), defendeu que avanços como o fim da escala 6×1, a reparação aos povos negros e indígenas, o combate às mudanças climáticas e a reestatização de empresas públicas só serão conquistados se os trabalhadores impuserem suas pautas de forma independente, organizando-se nos locais de trabalho sem se submeter às conciliações da frente ampla ou às pressões do mercado.
Theo Martins Lubliner (professor do IFS) alertou que o neofascismo não foi derrotado no Brasil e continua crescendo, citando a expansão da bancada de extrema direita no Congresso (com o avanço para 49 senadores) como uma ameaça concreta às conquistas sociais. O docente analisou os limites da aliança pragmática com setores da burguesia conservadora e defendeu a superação da estratégia “democrático-popular” em prol da construção de um verdadeiro poder popular. Criticando o engessamento do orçamento promovido pelo novo arcabouço fiscal e pelo pagamento de juros da dívida pública, sustentou que cabe ao Sinasefe organizar a mobilização de base e construir uma greve pela recomposição orçamentária para exercer a pressão necessária sobre o governo.
Francisco Freitas (TAE do IFPB) apontou a crise da hegemonia capitalista global e chamando atenção para a precarização do trabalho imposta pelas grandes corporações de tecnologia (Big Techs) e por sucessivas reformas trabalhistas e previdenciárias. O dirigente ressaltou que a vitória contra a extrema direita no segundo turno demonstrou a força da junção entre a mobilização nas redes digitais e a ocupação das ruas por estudantes e pela classe trabalhadora, que rejeitou a cartilha do ajuste fiscal. Por fim, defendeu que o papel do Sinasefe é não recuar e tensionar o governo pela esquerda, exigindo a reestruturação das carreiras, a recomposição salarial, a redução da jornada e a garantia de direitos.
Michel Torres (professor da USP) defendeu que a análise de conjuntura deve ser guiada pela razão e pela frieza científica para armar o movimento sindical de estratégias eficientes, destacando que a vitória eleitoral no segundo turno foi fruto de um levante cívico inédito, do ativismo digital e do resgate do trabalho de base.

O professor alertou que, apesar da eleição de Lula, a esquerda não conquistou a hegemonia política e enfrenta um cenário de greves predominantemente defensivas e queda na taxa de sindicalização nacional. Ao destacar o Sinasefe por manter índices de filiação acima da média do país, defendeu que a entidade mantenha independência de classe em relação ao governo, recusando a postura de mera espectadora para transformar a mobilização das ruas em uma força unificada e permanente de pressão por avanços sociais.
Erika Kokay (deputada federal – PT/DF) classificou a recente vitória eleitoral como um levante histórico e inédito, no qual a mobilização popular transformou os cidadãos de meros espectadores em protagonistas na defesa da soberania nacional contra a barbárie neofascista. A parlamentar criticou a financeirização da economia e privatizações como a da Eletrobras, defendendo o fortalecimento das estatais e o investimento prioritário na educação e na cultura para resgatar a subjetividade coletiva e combater a cultura do medo e do ódio.
Ao destacar que a cidadania se constrói no “chão da escola”, enfatizou o papel estratégico dos Institutos Federais e defendeu que a efervescência das ruas se consolide em organização popular permanente e políticas públicas estruturantes.
Ao final das cinco palestras desta mesa, dez participantes foram sorteadas(os) para apresentar suas pontuações sobre conjuntura e organização sindical. Os desafios da categoria para o próximo período foram pautados repetidamente, ressaltando questões como a Reforma Administrativa, o orçamento das instituições federais de ensino e pautas como a precarização da Rede Federal.
Sinasefinho
Mais uma vez o Congresso do Sinasefe conta com o Sinasefinho, que é um projeto construído pelo conjunto de mulheres do sindicato (em especial, pela Coordenação de Políticas para as Mulheres do sindicato) voltado às crianças e aos(às) adolescentes das(os) sindicalizadas(os).
O Sinasefinho é um espaço que vai muito além de um lugar para deixar crianças e adolescentes enquanto seus responsáveis participam das atividades do sindicato: é também um espaço formativo e de convivência baseada nos valores da cooperatividade, da diversidade, da solidariedade e da inclusão.

Avaliação
O coordenador-geral do Sinasefe SM, Adão Pillar Damasceno, que participa do Consinasefe junto com a colega de diretoria, Lidiane Barroso, avalia positivamente o primeiro dia do evento. Ele ressalta a importância da análise de conjuntura realizada, cujos expositores buscaram fazer o vínculo com a dimensão social, tendo em vista os fatos recentes em que o sindicato nacional tomou posição em favor de uma candidatura presidencial como forma de evitar que a hegemonia da direita acabasse por desmontar qualquer expectativa de políticas públicas para a educação.
Damasceno analisa também que a grande presença de participantes- aproximadamente 600 pessoas- aponta para uma renovação de quadros e um grande interesse de uma categoria de trabalhadores/as, sejam novos ou já veteranos no sindicalismo, que desejam construir de forma coletiva uma política pública efetiva para o ensino EBTT.
Fonte: Sinasefe Nacional
Fotos: Sinasefe Nacional e arquivo pessoal
Edição: Fritz Rivail
